domingo, 2 de dezembro de 2012

ÁGUA PARTE 1

 

ÁGUA UNIVERSAL  - http://www.agua-universal.pt
 
É um site recente do arquitecto Pedro Formozinho Sanchez e do designer gráfico Filipe Sousa. Alerta para a escassez deste recurso e para o perigo da sua privatização para comercialização como qualquer outro bem transacionável. Só 1 a 3% da água do planeta é potável e com tendência para diminuir. Não pelo aumento da população mundial, mas sim à disrupção do Ciclo da Água por mudanças climáticas e contaminação.

A new site by arch. Pedro Formozinho Sanchez and graphic designer Filipe Sousa. Refers to the scarcity of water and the danger of turning into a commodity. Only 1 to 3% of the world’s water is drinkable and it tends to be even less. Not due to world population growth, but fue to the disruption of the Cycle of the water. Either by climatic changes or contamination.

 
De imediato ocorre poupar, mas isso não chega. Mais que a poupança, há que agir sobre as causas da destruição deste recurso.
Arquitectos, urbanistas e todos os que agem sobre o Território têm de reflectir e dar o seu contributo profissional.
 Consideraria 3 níveis de intervenção:
1. Repensar como se projecta em Arquitectura e Urbanismo, da prática de atelier ao Ensino.
A água pluvial não pode ser desperdiçada, há que ser recolhida pelas coberturas e canalizada num circuito independente para reservatórios, aproveitando-a para regas de espaços verdes e limpeza das ruas, em vez de engrossar o caudal dos esgotos.
 Banalizar o uso das coberturas ajardinadas nos climas que o permitem. As plantas fixam as partículas em suspensão da poluição atmosférica; o excedente da água é drenada para os reservatórios acima mencionados.
One immediately thinks of sparing, but that is not enough. More than sparing, there’s a nerend to act upon the causes of the destruction of this resource.
Architects, Urbanists and those acting on the Territory must have a deep reflection and give their professional contribution.
I would consider three levels of intervention:
1. Rethink how to design and plan in Architecture and Urbanism, from the studio practice to the teaching in Universities.
Rainwater cannot be wasted; must be collected on the roofs and through a separate drainage system, stored for watering parks and gardens and washing the streets. The present solution of directing rainwater to the sewage system is senseless.
To implement the use of roof gardens where climate permits. The plants capture the particles in the polluted air; the remaining water would be direct to the above mentioned reservoirs.
New York roof gardens - What if...
 
Urban forest, Chongqing, China – MAD architects – project under development




Green walls - Ivey
Dar mais ênfase à requalificação urbana, renovando, actualizando ou mudando as funcionalidades do existente.
Retomar a antiga prática das hortas e quintas nos interstícios da cidade. Evitariam a excessiva impermeabilização dos solos, constituiriam pulmões da cidade, ajudariam a evitar o aquecimento excessivo dos centros urbanos e seriam um excelente contributo para tornar mais eficaz e racional o sistema de abastecimentos das cidades.
To emphasize urban requalification, building renovation, either updating conveniences or changing functions.
To restore the old practice of vegetable gardens and farms inside towns. It would counter the excessive waterproofing of urban soils; it would be the lungs of the towns. It would help to balance the overheating of the cities and finally it would be an excellent contribution for the efficiency of supplying the towns with fresh goods.
Mapas de Filipe Folque, 1856 zona do Príncipe Real , Lisboa
Para consultar uma montagem de todas as cartas

Lisbon mapping by Filipe Folque, 1856, area of Príncipe Real (the trapezoidal ligth green form), Lisbon
To see a collage of all maps visit link above
Same are today. The existing green spots are garens and parks already existing in 1856, but the vegetable gardens are gone and the town became more compact. 
2. A boa gestão do Território e como o usamos é o nível seguinte de intervenção, com uma componente técnico-jurídica e outra política.
A política de ocupação do Território tem de ser ditada por interesses estratégicos de desenvolvimento sustentável, não por interesses do mercado imobiliário. Não é sustentável a presente situação em que privatizam os lucros e estatizam os custos da expansão urbana sem sentido.
Responsabilizar criminalmente a prática de licenciamentos em cima de linhas de água e suas bacias.
 
2. A good management of the Territory and how we use it would be the second level, with technical and juridical component and the other one political.
The policy of occupying the territory must be dictated by strategic interest based on sustainability, not by the real estate market. It is unbearable and unsustainable the present situation where profits go the private sector and costs to public (state) responsibility.
Cheias na Madeira. As linhas de água foram estreitando até que um dia…
Flood in madeira island. The watercourses have been narrowed until one day...
 
Recuperar e respeitar as linhas de água. Parar com o absurdo de encanar cursos de água, transformando-os em esgotos. Encarar os cursos de água como uma riqueza a explorar com sabedoria. Um rio não é só água. É fauna e flora, é regulador dos ciclos de chuvas/secas. É Paisagem. É Património.
 
To requalify and respect the watercourses. Stop with the absurd of piping watercourses, turning them into sewage. To understand the watercourses as a wealth to explore wisely. A river is more than just water. It is fauna and flora; it is a regulator of the cycle rain/draught. It is Landscape. It is Heritage.
Desperdício de recursos valiosos, perigo de saúde pública, agressão contra a população
Waste of valuable resources, public health danger, agression against the populations
Rio Estorãos, Vale do Lima- Viana do Castelo / Portugal
Estorãos river in Lima valley, Viana do Castelo, North of Portugal
Rio Gilão/ Tavira-Algarve/Portugal.
Simples manutenção e os resultados fantásticos que se obtém.
Gilão River trough Tavira in Algarve, Portugal. A simple maintenance and fantastic results
Uma gestão florestal que combata a erosão dos solos consolide encostas, permita a infiltração da água para os aquíferos.
A forest management to prevent erosion; consolidate hills; to allow the water to replenish aquifers
3. O terceiro nível talvez seja “desconstruir” o mito da solução Hi-Tec por tudo e por nada e o conceito de mega-projectos. Dar mais ênfase ao engenho humano que a implementar sistemas de relação custo/benefício duvidosos. Aarquitectura bioclimática é um bom exemplo do que se consegue fazer com Low-Tec combinada com a quantidade ajustada de Hi-Tec.
 O conceito “off-the grid” tem algo de cultura underground, mas contém o gérmen de uma esperança num futuro mais inteligente: fazer o downsizing das nossas estruturas, descentralizá-las, enfim, democratizar o Progresso. Colocar a ciência e a tecnologia ao nosso serviço, não um mero fim, como por vezes parece.
3. The third level maybe it would be to “deconstruct” the myth of the Hi-tec for everything and the concept of mega-projects. It should be more worthy to emphasize the human ingenuity rather than implement solutions of doubtful cost/benefit. Bioclimatic architecture is a good example on how to combine Low-Tec with the adjusted amount of Hi-Tec.
The “off-the-grid” concept has something of underground Culture, but it contains the seeds of hope in a better future: downsizing the infrastructures, decentralise them, in brief, to democratize Progress. To place Science and Technology at our service as tools, not as an objectives in itself, as sometimes it seems. 
Cartoon in Maintainable and Sustainable World







sábado, 17 de novembro de 2012

A IMPORTANCIA DO SKYLINE (LINHA DO HORIZONTE) / THE IMPORTANCE OF THE SKYLINE



Estas fotos tiradas no verão de 1983 ao fim do dia revelam algo que é frequentemente esquecido, o valor paisagístico do skyline. Se não fosse o acaso de as últimas terem sido tiradas em contraluz, não me teria apercebido. Os diversos volumes à luz do dia fragmentam-se, distraem-nos de ver o skyline. Esta é a parte velha de Almada, no alto de uma colina, as cérceas são mais ou menos semelhantes, o que varia é a topografia. O núcleo urbano está ancorado no Território, não o antogoniza, retira sinergias que valorizam o Lugar. A torre sineira elevando-se acima dos telhados transmite uma paz decorrente da sua simbologia como expressão espiritual da comunidade. Esta torre já foi de um convento que depois se tornou no edifício da Câmara Municipal. Em Portugal é normal encontrar nas aldeias e vilas que não sofreram o assalto especulativo duas torres: a do Poder da Igreja e a do Poder Laico. Por vezes até, uma terceira, a do Poder do Senhor local.
These photos shot in the summer of 1983, at the end of the day reveal something often disregarded the landscape value of the skyline. If it wasn’t the random chance of the last photos were done in the precise moment the sun just disappeared, I wouldn’t notice the contour of the roofs. In the daylight the volumes are fragmented and don’t reveal so obviously the skyline. This the old part of Almada on top of a hill, the height of the buildings with minimal differences, it is the topography that delineates the overall contour. The town is anchored to the Territory, it doesn’t antagonize it, just withdraws synergies that give added value to the Place. The bell tower belonged to a convent that later on became the Town Hall. It is soothing to watch that tower as the centre of a community. In Portugal it is a common sight in small villages that resisted to real estate speculation to see two towers. One from the church symbolizing the Power of the Catholic Church and the other from the Town Hall symbolizing the Power of the villagers. In some places there can be found a third tower (of a castle of palace) symbolizing the Power of the Nobility.  
 
  Esta foto de Lisboa mostra a cúpula da Basílica da Estrela diluída pelo novo skyline constituído pelas Torres das Amoreiras e outras excrescências que como borbulhas na cara de um imberbe foram surgindo aqui e ali em Lisboa. Só que Lisboa é uma cidade milenar, não uma imberbe Las Vegas. A cúpula da Basílica da Estrela era um marco que coroava o edificado à sua volta. Dava-lhe ordem. Lisboa é uma cidade de colinas. As novas construções com cércaeas muito mais altas destroem essa leitura que a define. 
Existe algum debate, embora frouxo sobre a construção em altura em Lisboa. A última proposta veio pela mão de um respeitado arquitecto português premiado por todo o Mundo. O seu argumento foi que ao concentrar numa torre, libertava espaço para uso público. Pessoalmente foi esta argumentação quem me chocou mais que a torre em si. Julgava que o longo e exigente treino de um arquitecto se destinava a bem servir o cliente, mas também a comunidade.
Uma característica muito interessante do Tejo frente a Lisboa é a diferença de topografia das duas margens. A margem norte onde Lisboa se implanta eleva-se a cotas altas, mas com pendentes relativamente suaves. Almada repete o mesmo padrão, mas as suas “costas”, a margem frente a Lisboa, é uma abrupta arriba que oculta parcialmente a cidade.
Os lisboetas têm o privilégio de olhar para um rio lindíssimo e uma margem oposta quase selvagem. Estar dentro da cidade e poder olhar para o campo serve de escape para o aperto de um ritmo urbano frenético.
 This photo of Lisbon seen from Almada shows the dome of the Estrela Basilica diluted by the new skyline defined by the Amoreira Towers behind and some other excrescences that like pimples on a teen face pop here and there. But Lisbon is a millenary town not a teen Las Vegas. The Estrela’s dome was the centrepiece of the urban composition in this area. It gave an hierarchy. Lisbon is a hilly town, when the contemporary layer of buildings (much higher) are built, the understanding of the rolling hills is lost. There’s some debate although mild, about high rise in Lisbon. The last time the issue erupted was by the hand of a Portuguese architect with a lot of international awards. His point was that by building a high rise would free space for public use. It shocked me more the justification than the project. I though that the long and demanding studies to become an architect were destined to serve well the client but also the community.   
 
 Não fossem os prédios altos recentes e não se perceberia que existe uma cidade enorme desse lado do rio. Uma experiencia espectacular é atravessar a ponte 25 de Abril à noite em especial em noites nubladas, as luzes reflectindo no céu, coisa que só nos apercebemos a meio da ponte. Após a passagem, quando se inicia a descida para o vale a cidade se revela no seu esplendor. É um acaso da topografia, mas com valor emocional, embora subjectivo, entra na fórmula da construção da paisagem urbana.
 Diga-se de passagem que o “esplendor” desvanece-se durante o dia; Almada não passa de um amontoado caótico de prédios altos. Não são visíveis linhas de força indicativas de avenidas largas ou coerência formal no desenho dos quarteirões.
If it wasn't for the new tall buildings hardly will one perceives the existence of Almada when looking from Lisbon. An awesome experience is to cross the bridge by night, especially on a cloudy one. Only at the middle of the bridge one notices the glow of the city lights. After reaching the southern margin and descending to the valley the town reveals itself in its splendour.
It’s the consequence of the topography, but surely this emotional, yet subjective element makes part of the formula to build a townscape.  
One has to say that by day the splendour is gone and what can be seen is a chaotic assembly of tall buildings. No noticeable lines indicating wide avenues or coherence in the block’s volumes definitions.
 
 
 
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A MÁQUINA DE VER O TEMPO / THE MACHINE TO SEE THE TIME

 
Este foi o título de um dos meus trabalhos em Projecto 1 há uns anos atrás; o incontornável exercício do cubo. O lugar que escolhi seria a praia da Costa da Caparica. Lembrei-me agora do exercício ao constatar que o Programa de Requalificação da Costa da Caparica inclui apagar elementos icónicos, neste caso os palheiros, as habitações de pescadores que depois deram forma aos banheiros, os estabelecimentos que forneciam restauração, vestiários, sanitários, e vigilância dos banhistas. Parece que se está a desdenhar o valor iconográfico deste tipo de arquitectura vernácula, confundindo-se por preconceito ou intencionalmente o seu valor intrínseco, escudando-se em degradações formais e funcionais que o arquétipo foi sofrendo.
This was the title of one my works in Project 1 some years ago; the ever present theme of the cube. The place I chose for my intervention should be on the beach in Costa da Caparica. I thought of that exercise when I realised that the Requalification Program for Costa da Caparica, includes to erase iconic elements, in this case the palheiros, the fisherman’s houses that later on gave shape to the banheiros, the commercial estableshiments serving food and drinks, equipped with locker rooms and restrooms, besides the vigilance over the bathers.



There seems to be a disdain for the iconographic value of this vernacular architecture, confusing by prejudice or intentionally the intrinsic value of it with the degradation occurred to the archetype, functional or  formal.


O meu projecto era uma abordagem irónica ao ritual de ir à praia, que para mim é uma maneira muito curiosa de estar em público, as famílias e pares distribuídos de forma compacta pela praia. As toalhas definem a área territorial. Aí besuntam-se os corpos, uns elegantes, outros caricaturais. Tinha um colega barrigudo que nem uma grávida de nove meses e um penteado em forma de ninho, um daqueles em que os parcos cabelos são enrolados em forma de ninho para tapar a careca. Passeava-se imponente pela praia com a sua tanga de leopardo, com um pente de reluzente alumínio entalado na tanga.
Tomam-se banhos de sol cronometrados. Come-se o farnel. Olha-se à socapa para os outros, mas acima de tudo cria-se uma barreira de isolamento, um casulo. É como um núcleo habitacional em que as paredes se tornaram transparentes.



My project was an ironical approach to the ritual of going to the beach, for me a very peculiar way of behaving in public. Families and couples spread on the sand in a very compact way. The bathing towels define the territory. There they oil their bodies, some elegant others caricatural. I had a coleague with a belly as big as a nine months pregnant woman and a hairdo in nest style, the few remaining hairs combed in a curl to hide the boldness. He felt imposing in his leopard skin thong whit a shiny aluminium comb at the waist.
People sunbathing with a very careful timing to change position. Munching the snacks brought from home. Checking around, but above all creating an isolation barrier, a cocoon. It is as if the apartement walls became transparent and nobody is aware of it.     
Peguei no arquétipo do palheiro, os materiais construtivos, o assentamento sobre estacas e as cores para criar um objecto com várias aberturas onde a luz passa projectando-se nas paredes e no pavimento, assim marcando o tempo. A abertura principal está virada para o mar, como se o observador estivesse dentro de uma enorme máquina fotográfica “a la minuta”. As escadarias funcionam como acesso ao interior e como bancadas para se sentar à sombra e olhar o mar.
I used the archetype of the palheiro, the building materials, the seting on stakes, the vivid colours to create an object with several openings, decomposing the original cubic form and letting the sunlight come in, witnessing the change of time as the light projected on the walls and floor slowly move. The main opening turns to the sea framing the view and making the observer inside the cube as if he should be in a huge old photographic camera. 
The stairs under the shade double as access to the interior and amphitheatre to enjoy the view.
 
Uma caixa (pintada de vermelho) na face superior do cubo desliza, revelando o céu. A caixa funciona como um episcópio, permitindo uma observação discreta da multidão na praia. Só quem entrar no cubo entenderá o que se passa. Um peep show inocente e irresistível que dará lugar à pergunta inquietante “e se já fui observado, também?!”
Como é fácil julgar os outros…
 
A sliding box painted red on the upper surface of the cube reveals the sky. The box works as an episcope, allowing a discreet observation of the crowd on the beach. Only those entering the cube will understand what’s going on. An innocent and irresistible peep show, that immediately will give place to the disquieting question: “and what if I also have been observed?!”  
How easy is to judge the others...



terça-feira, 30 de outubro de 2012

CITIES FOR PEOPLE


É o título do livro do professor Jan Gehl. Leitura obrigatória para estudantes e profissionais.

Na introdução feita por Richard  Rogers: “As cidades são os lugares onde as pessoas se encontram para trocar ideias, fazer comercio ou simplesmente para relaxar e divertirem-se. O domínio público – as suas ruas, praças e parques -  são o palco catalisador dessas actividades. Jan Gehl, o decano do design de espaços públicos, tem um entendimento profundo sobre como usar o domínio público e forneço-nos as ferramentas que necessitamos para melhorar desenho do espaço público e as consequências, a qualidade da nossa vida.”

Disponível em bookdepository, ver referencia e link em baixo.

This is the title of a book by Jan Gehl a Danish Professor of Architecture and Urbanism. A must read for students and professionals.

In the Foreword Richard Rogers says:  “Cities are the places where people meet to exchange ideas, trade or simply relax and enjoy themselves. A city’s public domain – its streets, squares and parks – is the stage and the catalyst for these activities. Jan Gehl, the doyen of public space design, has a deep understanding of how we use the public domain and offers us the tools we need to improve the design of public spaces and as a consequence, the quality of our lives.”

“Cities for people” by Jan Gehl, ISBN13:978-1-59726-573-7

Available at bookdepository, a online bookshop shipping free to EU countries


Esteve disponível um pdf com a apresentação na Conferência Gold Coast na Autrália, em 2006 ou 2007 e que serviu de base para este livro. Aparentemente já não está online. Existem pelo menos duas versões da apresentação no Youtube. A minha favorita é esta em baixo.  Não se intimidem pela duração do vídeo. Han Gehl é um velho mestre que sabe agarrar uma audiência com um discurso claro, bom humor e algum sarcasmo muito eficiente.
It could be found the presentation to a Gold Coast Conference in Australia, back in 2006 or 2007, but seems to be offline.
There are at least two versions of the presentation on Youtube. My favourite is the one bellow. Don’t feel intimidated by the duration of the video. Jan Gehl is an old Master that knows how to rivet the audience with a clear speech, good humour and some very efficient sarcasm.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

WaRe waterfront regeneration

De 24 a 28 de Setembro realizou-se em Izola a 4ª Conferencia da WaRe.
Estão disponíveis as comunicações em pdf no seu site:
http://www.ware-project.net/index.php?option=com_content&view=article&id=36:third-project-meeting&catid=6:news&Itemid=24
 The 4th Ware Conference was held last September in Izol, Slovenia, form 24th to 28th.
Thr presentaitons are available for download on their website.  

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A CASA INTELIGENTE OU A INTELIGENCIA A CONSTRUIR CASAS


Todos os avanços científicos e tecnológicos passam por um período de descoberta da utilidade e da forma correcta quer se trate de um objecto ou edifício. Nessa procura surgem muitas das vezes propostas ridículas.
All scientific and technological advancements go through a period of finding the applications and the right shape whether is a utility or a building.  
Sem comentários…No comments…
 
Um desenho-animado de  Tex Avery
A Tex Avery cartoon  
Ao fim de um século de antevisões (onde nunca o social é considerado) seria de esperar mais senso comum na procura de aplicações. Para mais o que está em cima da mesa é a sustentabilidade a nível planetário. Arquitectura bioclimática, uso de materiais não tóxicos e reciclagem são necessidades prementes.
Excelente que a informática possa ajudar. Os custos das aplicações vão baixando com a sua banalização. Contudo há algo irritante na expressão “casa inteligente”. É redutora e condescendente quanto ao papel do indivíduo. Burro porque incapaz aprender a gerir a energia que gasta na sua casa. É um tonto que não sabe o que precisa de comprar no supermercado. Há muito marketing mal disfarçado sob o lema “para libertar o indivíduo das tarefas rotineiras”.
O que se assiste é à aplicação da máxima: “primeiro cria-se a necessidade e depois vende-se a solução”.  
After a century of visions of the future that never happen (never the social is taken into account) one would expect a little more of common sense when researching for applications. Especially when what’s on the table is global sustainability. Bioclimatic architecture, use of non-toxic materials and recycling are in the order of the day. Great that computers can help. The costs of the applications are lowering steadily. However there’s something annoying in the expression “intelligent house”. It is reductive and condescending as for the role of the individual. Too dumb to learn how to manage the use of energy in his home. Silly because he cannot make a grocery shopping list.
There’s an ill disguised marketing campaign here under the moto “to release the individual from routine chores”.
In fact it is the application of the principle: “first create the need, and then sell the solution”
Não é uma paródia. Existe uma sanita inteligente que entre muitas funcionalidades, a tampa levanta (suavemente, como diz no anúncio) mal detecta a aproximação do utilizador e abre a tampa. Nem quero imaginar o tormento do feliz possuidor de tal sanita, no dia em que necessitar de a usar com grande urgência e esta avariou, recusando levantar a tampa…

Propõem-nos frigoríficos que fazem o inventário do stock e elaboram a lista de compras.
Propõem-nos sistemas automáticos de gestão da luz pela casa fora conforme a sua ocupação.
O medo vende sofisticados sistemas de segurança.
It is not a joke. There exists an intelligent toilet that among many functionalities, can open the lid (smoothly as the add reminds) when it senses someone approaching. I don’t even want to imagine the torment of the happy owner of such contratption in a moment of emergency and the lid doesn’t open, because of some malfunction.
Concepts of computerized fridges able to make the stock and elaborate the shopping list.
Automatic management of lighting in the house according to use.
Fear sells sophisticated security systems. 
Há dias na TV, um entusiasta cientista na área da computação, apontava um futuro risonho em que poderíamos comunicar com os edifícios (?!). Chamou-me a atenção e ouvi…
Edifícios interligados (?!), vidros das janelas que ao toque se transformam em écrans de computador permitindo-nos controlar tudo na casa. Portas opacas de roupeiros que a um toque se tornam transparentes, para podermos ver o que está lá dentro.  A paciência esgotou, não ouvi mais.
Esperava ouvir falar de estruturas inteligentes que reagissem dinamicamente a um tremor de terra. Sensores que não só diagnosticariam uma ruptura de cano, como conseguiriam fazer diagnósticos antecipados. Quem sabe com o auxílio da nanotecnologia, poder fazer uma reparação temporária.
Sistemas de gestão do ambiente, sistemas de monotorização do estado de saúde dos residentes, capaz de chamar assistência de emergência ou rotineiramente reportar ao médico são indicados para habitações de pessoas com deficiências ou para idosos. Que se desenvolvam sistemas fáceis e baratos de instalar em habitações ditas correntes, seria um conceito interessantíssimo. Alguém que tenha sofrido um acidente e perdido a autonomia. Idosos com autonomia reduzida ou saúde fragilizada; seria socialmente mais indicado apetrechar a casa com os sistemas necessários, para poderem continuar a viver na sua casa, junto aos seus vizinhos de sempre que ser enviado para um lar de idosos.
A aplicação de tecnologia onde é necessária e na medida certa. Como dizem os americanos, o método KISS: Keep It Simple, Stupid!.
Em arquitectura, na pesquisa de novas tipologias também há alguma confusão.
O exemplo Japonês de casas com pouca área está a conquistar o Ocidente e por boas razões. Menos área menos materiais, menos custos de construção e de aquecimento. Com a vantagem adicional de requerer menos espaço, quer nos lotes, quer em edifícios de apartamentos.
Surgem algumas soluções interessantes para espaços multiusos, mobiliário que se transforma e faz desaparecer o que não está em uso. Paredes móveis. A construção modular, a estandardização, a  pré-fabricação.
Mas na onda surge também muita proposta que é mais do domínio do trabalho cénico que arquitectura. Empilhar espaços uns em cima dos outros em que as escadas ocupam metade de cada piso, implicando um sobe-desce constante. Escadas de quebra-costas para aceder a mezzaninas. Bastará um gripe forte que deixe o morador zonzo, uma perna partida ou doença mais grave e o indivíduo deixa de ter casa habitável. Numa emergência médica como se remove uma pessoa duma dessas elegantes mezzanines?  
Days ago on TV a very enthusiastic computer scientist envisioned a future where we could communicate with the buildings (?!). Got hooked and watched.
Buildings interconnected (?!), Window glazing turning into computer screens enabling us to control the whole house. Opaque closet doors that turns transparent with a simple touch, allowing us to look of the contents.
Patience ran out, listened no more.
I hoped to hear about intelligent structures able to react dynamically to earthquakes. Sensors able to scan the plumbing, able to diagnose an eminent rupture. Who knows, with nanotechnology to be able to make a temporary repair?
House intelligent systems, systems to monitor health of residents and call for help or to routinely transmit info to the health care is appropriate to households of elderly people or handicapped or someone with temporary lack of autonomy. It should be interesting to develop cheap systems to retrofit houses, easy to install and remove when not needed anymore.
It is socially more valid to retrofit an elderly folk’s home, to let them enjoy the space and neighbours they’re familiar with than send them to a nursing home.
Technology should be wisely used where needed and in the right measure. As the Americans say, the KISS method:  Keep It Simple Stupid!
In the research for new typologies in architecture there’s also some confusion.
Wisely the Japanese example starts to catch on in the Western Hemisphere. Smaller areas, less materials, less costs with the construciton and house heating.  With the bonus of requiring less space whether on plots or apartment buildings.
There are many interesting proposal for multifunction spaces. Furniture that transforms itself and make disappear equipments not in use.  Movable walls, modular construction, pre-fab.
But with these interesting steps comes also things that belong to stage scenario rather than architecture.
Rooms stacked with half floor space occupied by the stairs, a tiresome up and down. Vertical ladders to the sleeping area in a mezzanine. It will suffice a strong flue, a broken leg or some serious incapacitating illness and the individual has no house to live in. In a medical emergency how the para-medics will remove a patient form that kind of stylish mezzanine?
Um problema subsiste e deveria envergonhar-nos a todos, em especial a industrias da construção, políticos, arquitectos e engenheiros.  A tecnologia racionalizou a construção, mas o esforço financeiro para se ter um espaço privado a que se possa chamar lar, salubre e confortável, continua a ser o mesmo, comparando com os seus rendimentos. Alguns Países como Portugal até têm na sua Constituição o direito à habitação, no entanto...
A problem subsists and should shame us all, especially those in the building industry, politicians, architects and engineers. The financial effort for someone to have a private space that can call home, salubrious and comfortable is still the same comparing with his income. Some countries have in their Constitution the right to have a house, nevertheless...
O sem-abrigo, um ser humano que se torna invisível para a sociedade.
The homeless, a human being turned invisible to society
Onde está a inteligência? Where is the intellegence?





quarta-feira, 17 de outubro de 2012

UTOPIAS


No início do séc. XX era o desejo do voo ao alcance de todos. Uma delícia para o steampunk que obteve assim uma fonte inesgotável de inspiração.
In the beginning of the XXth century it was the wish of flying at reach for all. A steampunk delight for the wealth of inspiration.
 O elevador e a água canalizada permitiram os prédios crescerem em altura. Até se pode entender as razões por detrás deste sonho; deambular pelas ruas sem pisar excrementos dos animais de tracção, suportar os cheiros e os ruídos devem ter sido preocupações para qualquer senhora ou cavalheiro, coisa que agora nos poderá ser difícil imaginar. Não terão sido os factores decisivos, mas apetece ironizar. 
The elevator and plumbing made possible the buildings to grow in height. One can almost understand the reasons; go around on the streets without stepping on horse’s excrements, to stand the stench and the noise must have been concerns for any lady or gentleman, something hard for us to understand nowadays. Surely they weren´t the main reasons, but irresistible to mock.

A curva em S na linha elevada em 3rd Ave. em Coenties Slip, New York 1904
The S-curve of the 3rd Ave. El at Coenties Slip, New York 1904
In Old New York Photo Postcards
Domingo de Páscoa, 1898, na 5ª Avenida (New York) vista do lado Norte para a Rua 41ª, vendo-se o Reservatório Croton.
Easter Sunday, 1898, on 5th Ave., looking north from 41st St., with the Croton Reservoir
In Old New York Photo Postcards
 
O PASSEIO PÚBLICO EM TRANSIÇÃO
THE PUBLIC PROMENADE IN TRANSICTION
A foto acima tem algo de estranho, como se todos fossem em procissão, caminhando na mesma direcção. Revela o valor da rua como local de convívio social. É a 5ª Avenida, a residência das elites.
The photo above is somewhat strange, as if this is a procession; everybody walking in the same direction. It reveals the street as a social place. Mustn’t forget it is the 5th Ave. The residence of the elites.
Com a banalização do automóvel e a ideia de fontes inesgotáveis de energia surgiu o conceito de velocidade. 
Os espaços são amplos, mas as pessoas são mostradas dentro de veículos, que no fundo não passam de redomas sobre rodas. Estão felizes, mas protegidas por um casulo que as separa dos outros a uma distância impessoal.
Na imagem acima os arranha-céus dominam o horizonte, mas as autoestradas quase não têm tráfego.
Uma noção que perpassa todas as antevisões é a do lazer ou no mínimo uma vida sem preocupações.
A tecnologia tudo resolve; é o primado do Ciência como uma nova religião a que até agnósticos e ateus aderem.
As mudanças sociais do pós-Guerra proporcionaram uma maior expressão do individualismo numa sociedade mais tolerante (nem que seja em aparência).
 A atracção por cidades em altura, justificadas pela falta de espaço, reflecte um fenómeno novo, o desejo por uma privacidade que reduz o contacto social a círculos restrictos. As cidades verticais onde raramente se encontra alguém nos corredores e de forma alguma se dirige a palavra no elevador
With the trivialization of the car and the idea of never-ending energy resources, came the concept of speed. There are wide spaces, but people are encased in cars, nothing more than glazed domes on wheels. They’re happy but protected by a cocoon that separates them from the others at an impersonal distance.
In the image above, the skyline is filled with skyrisers, but almst no traffic on the highways.
An ever present notion on all visions of the future is leisure or at least a life with no worries.
Technology solves everything; It is the postulate of Science as a new religion that even agnostic and atheists find atractive.
The social changes of the postwar provided greater expression of individualism in a society more tolerant (even if only in appearance).  
Só pode ser um anúncio recomendando a leitura, mas o jovem parece ter as suas prioridades um pouco confusas.
It has to be an add promoting reading, but the young man seems to have troubles sorting his priorities.
A decomposição da cidade em peças de uma máquina deu o zonamento. O território vital alargou-se. A expressão é minha, normalmente usa-se o termo mobilidade, uma coisa excelente que até filósofos recomendam como um indicativo de liberdade e qualidade de vida. Na dura realidade traduz-se por ter de se levantar as crianças bem cedo, percorrer alguns quilómetros e muitos minutos para entrega-las na creche ou na escola, percorrer mais uns quilómetros até ao local de trabalho. E como é tão bom repete-se a dose ao fim do dia. Vida social está absolutamente fora de questão para uma larga população.
Disassembling the city into parts as in a machine gave place to zoning. The vital territory spread.  It’s my own expression to what is generally called mobility, an excellent thing that even philosophers recommend as an indictative of freedom and quality of life. In the harsh reality means parents to wake up children much earlier, take them by car some kilometers and many minutes to the kindergarten or school and then back to traffic jam to the workplace. And this mobility is so great that they’ll do it again at the end of the day. There is no place for social life for a large number of the population.
Quandos a utopia se transforma em distopia
When utopia turns into dystopia
Há tempos na TV um simpático senhor, que devia ser arquitecto, explicava com entusiasmo a sua ideia para Hong-Kong. Consistia em criar uma rede pedonal ao nível de um 7º ou 10º andar para ligar os edifícios. Os cidadãos (consumidores) poderiam circular sob um sol radiante em sossego, longe do tráfego automóvel e do smog. Havia um probleminha com a possibilidade dessa rede pedonal obscurecer as ruas e os andares abaixo. Mas que diabo! Nem ele ou os seus amigos iriam viver lá em baixo.
A while ago on TV, a nice gentleman, presumably an architect, explained his vision for the solution of traffic in Hong-Kong. To build a pedestrian network at the level of the 7th to 10th floor where the citizens (consumers) could stroçç under a radiant sun, away from car traffic and smog. There was a little glitch, though; eventually these bridges would increase the shade on the levels bellow. But waht the heck! Neither this gentleman, nor his friends would ever live on the floors below.
Cidade do futuro na banda desenhada "O Incal Negro" de Jodorowsky e Moebius  
Future town in comic book "The Dark Incal" by Jodorvsky & Moebius
ESCRAVIZAR HUMANOS PARECE MAL, SURGE O ROBOT
O dona-de-casa, liberta das suas tarefas rotineiras nem precisa de se calçar, tem alguém (algo) que o faça por si. O que permanece inalterado é a visão do papel da mulher na Sociedade.
The housewife, freed from her daily chores doesn’t even need to put on her sleepers; she has someone or something to do it for her. What remains unchanged is the vision for the role of women in society.
Rosie, a temperamental a empregada dos Jetsons
Rosie, the temperamental maid from the Jetsons
A tecnologia que nos propõem são para nos libertar das tarefas rotineiras e ter mais tempo livre.Será que o dia tem menos horas e nem nos disse? A vida está cada vez mais frenética.
The technology presented to us as a way to free us from daily chores and enjoy more free time.Could it be that the day has less hours nowadays and nobody told us? Life is more frantic.